Encontro Inesperado | 2024

Curated by: Manuel Santos Maia
Text writen by: Mariana Brás Ferreira

Solo Show
Shown in Galeria Graça Brandão

EXHIBITION TEXT

PRESS

‘Encontro Inesperado’ exhibition view, Galeria Graça Brandão, 2024
Photos courtesy of Galeria Graça Brandão | © Hugo Gomes

Exhibition Views

Brincar com canoas e afogar cães (II), 2023

Acrylic on advertising canvas
400 x 600 cm

Comida para cão, 2023

Acrylic on advertising canvas
300 x 400 cm

As lutas são feitas lá fora,
senão a casa fica toda suja, 2023

Acrylic on advertising canvas
400 x 600 cm

O que é que tu queres, 2024

Oil on wood
170 x 240 cm

Queremos tudo, 2024

Oil on wood
80 x 120 cm

Come e cala-te, 2024

Acrylic on wood
120 x 170 cm

Aparentemente as pessoas já não
gostam de cavalos, 2024

Acrylic on wood
120 x 170 cm

Um contrato é sempre a três, 2024

Oil on wood
120 x 170 cm

Rir até morrer, 2024

Oil on wood
80 x 120 cm

Olé, 2024

Oil on wood
80 x 120 cm

‘Encontro Inesperado’ exhibition view, Galeria Graça Brandão, 2024
Photos courtesy of Galeria Graça Brandão | © Hugo Gomes

‘Encontro Inesperado’ exhibition view, Galeria Graça Brandão, 2024
Photos courtesy of Galeria Graça Brandão | © Hugo Gomes

‘Encontro Inesperado’ exhibition view, Galeria Graça Brandão, 2024
Photos courtesy of Galeria Graça Brandã0 | © Hugo Gomes

     (…) Diogo Nogueira, clear heir to Gauguin and Matisse, initiates a gesture of reconciliation between a fruitful care for colors, attending to the codes that, in a more or less conscious way, they evoke in the viewer, and the attention to form, whose primitivism or synthetism – a technique founded by Gauguin – are distorted in favor of a movement, which is indeed of the fauvist type. In this sense, the spirited colors faint for the uprising of a passionate tone in the paintings. The significance and aesthetic fervor provoked by these paintings derive from an underground sphere of meaning, a past more or less present, from which one can extract a last form of life, as if after the outbreak of civilization, of which human language was finally universal, founded on a widespread amnesia: the return to the body, to gesture, as a means of fundamental communication. Just as in the cave paintings, in the caves of Chauvet and Lascaux, but in a symbolic reversal, no longer dealing with the dawn of the world, but with the dream that is still possible to dream after the end. A return to the natural, but a natural that does not resist yielding to certain human codes, due to the reminiscences that still propitiate them.

     The virtuosity was achieved by the man who trained his hand, and there is no way to return to nature except by building large panels as totemic as they are choreographic, as well as political. Thus, just as the gestures depicted in Nogueira’s works are simple and refer to activities that men have practiced since the beginning of time, there is an intention – stemming, perhaps, from a deep pleasure in playing with iconographies – to update certain codes, to make them current, to inhabit this time. (…)

Excerpt from the Text “Alphabets for Another Language” by Maria Brás Ferreira

     (…) Diogo Nogueira, claro herdeiro de Gauguin e Matisse, enceta um gesto de conciliação entre um cuidado profícuo com as cores, atendendo aos códigos que de uma forma mais ou menos consciente elas suscitam no espectador, e a atenção à forma, cujo primitivismo ou sintetismo – técnica fundada por Gauguin – são desvirtuados em prol de um movimento, esse sim, do tipo fauvista. Neste sentido, as cores aguerridas desmaiam para a sublevação de uma tónica passional dos quadros. A significação e o arrebatamento estéticos por estas pinturas provocados derivam de uma esfera subterrânea do sentido, um passado mais ou menos presente, de onde se pode extrair uma última forma de vida, como se depois da eclosão da civilização, da qual a linguagem dos homens fosse finalmente universal, fundada numa amnésia generalizada: o retorno ao corpo, ao gesto, como meio de comunicação fundamental. Justamente como nos painéis rupestres, nas grutas de Chauvet e Lascaux, mas numa inversão simbólica, não se tratando já da aurora do mundo, mas do sonho que é ainda possível sonhar depois do fim. Um retorno ao natural, mas um natural que não resiste a ceder a determinadas códigos humanos, pelas reminiscências que sobre eles ainda se propiciam.

     O virtuosismo conseguiu-o o homem que treinou a mão e não há forma de voltar à natureza senão pela edificação de grandes painéis tão totémicos quanto coreográficos, quanto ainda políticos. Assim, da mesma forma que os gestos representados nos trabalhos de Nogueira são simples e remetem para actividades que desde o início dos tempos os homens praticam, há uma intenção – advinda, quem sabe, de um gosto profundo de brincar com as iconografias – de actualizar determinados códigos, torná-los actuais, habitar este tempo. (…)

Excerto do Texto “Alfabetos para Outra Língua” de Maria Brás Ferreira

Inauguration Archive

‘Encontro Inesperado’ exhibition view, Galeria Graça Brandão, 2024
Photos courtesy of Galeria Graça Brandã0 | © Hugo Gomes

PRESS / TEXTS

(…) ‘ A estratégia pictórica da ambiguização entre a figura e o fundo, o espaço negativo e o positivo, a figura anatomicamente dominada e as formas inacabadas (por vezes, o traço do carvão permanece visível) resultam numa reflexão exata sobre o exercício da pintura na tensão mantida entre a matéria concreta, a superfície da imagem e a sugestão narrativa. Algumas barcaças ou a presença de animais (um touro, um leão, cães numa matilha) intensificam as possibilidades da ficção, sugerindo a alegoria ou a fábula. Outros sinais transportam a figura dos rapazes para categorias mitológicas como sátiros de riso mordaz ou sereios com a sua cauda de peixe em Aparentemente as pessoas já não gostam de cavalos (2024). ‘ (…)

‘ (…) A pintura de Diogo Nogueira ensina a alegria dos aventurados e a melancolia dos corpos à procura de si e na relação ardente com os outros no minuto que passa. O mesmo doce pesar atravessa os trabalhos homoeróticos de Andy Warhol ou os retratos impassíveis dos companheiros na fotografia crua, perturbadora e mortuária de Peter Hujar. (…)’

‘Portugal, o Inferno, a Via Láctea’

27 February 2024
João de Sousa Cardoso | Contemporânea